Queda do real após eleição aumenta pressão sobre exportações de soja dos EUA

Queda do real aumenta a pressão sobre as exportações de soja dos Estados Unidos e influencia o comércio internacional de grãos.

Queda do real aumenta a pressão sobre as exportações de soja dos Estados Unidos e influencia o comércio internacional de grãos.

Os contratos futuros de soja nos Estados Unidos caíram fortemente nesta segunda-feira (26), após a eleição presidencial brasileira provocar uma forte desvalorização do real e aumentar as preocupações com a competitividade das exportações americanas.

Os contratos de soja para janeiro recuavam 22¾ cents, para US$ 12,45¾ por bushel, nas primeiras negociações em Chicago. O movimento ocorreu após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, resultado que desencadeou uma venda de ativos brasileiros e enfraqueceu a moeda nacional, tornando a soja do país potencialmente mais competitiva para compradores internacionais.

Lula venceu Flávio Bolsonaro com 51,79% dos votos válidos, revertendo as expectativas do mercado depois que o desempenho do senador no primeiro turno havia impulsionado o real.

Segundo o The Brock Report, a moeda brasileira chegou a se desvalorizar cerca de 12% frente ao dólar na manhã desta segunda-feira. Um real mais fraco amplia a margem dos exportadores brasileiros para negociar preços em dólar e pode aumentar a competitividade da soja do país nos principais mercados internacionais. Para os produtores americanos, esse movimento tende a intensificar a concorrência e pode exercer pressão adicional sobre os preços domésticos da commodity.

Segundo os dados obtidos pela Datamar, aproximadamente 71,50% das exportações brasileiras de soja foram destinadas a China no período entre janeiro e agosto de 2026. Nesse mesmo período, o país exportou 85 milhões de toneladas do grão. Confira mais detalhes abaixo:

Exportação de Soja | Jan-Ago | 2024-2026 | WTMT

 

 

 

 

Real mais fraco aumenta pressão sobre preços dos grãos nos EUA

As vendas se espalharam pelos mercados de grãos em Chicago. Os contratos de milho para dezembro recuavam 4¼ cents, para US$ 4,51¾ por bushel, enquanto o trigo negociado em Chicago para o mesmo vencimento caía 5¼ cents, para US$ 6,19¾.

O trigo de Kansas City recuava 2¾ cents, para US$ 6,61¾ por bushel, enquanto o de Minneapolis caía 3 cents, para US$ 6,38½.

O movimento mostra uma pressão mais ampla sobre as commodities agrícolas, embora a desvalorização do real represente um desafio particularmente direto para as exportações de soja dos EUA, já que Brasil e Estados Unidos disputam compradores nos principais mercados internacionais.

Oscilações cambiais podem alterar rapidamente a competitividade das exportações de soja. Com um real mais fraco, fornecedores brasileiros ganham maior flexibilidade para definir preços em dólares, o que pode influenciar as decisões de compra de importadores.

Os agricultores americanos, que já enfrentam custos de insumos, despesas financeiras e volatilidade nos preços das commodities, podem sofrer pressão adicional sobre suas margens caso as ofertas brasileiras se tornem mais competitivas.

Outros mercados agrícolas tiveram desempenho misto. Os contratos de boi magro para janeiro avançavam US$ 1,78, para US$ 347,13 por cem libras, enquanto o boi gordo para dezembro subia US$ 0,48, para US$ 231,60. Os suínos para dezembro recuavam US$ 0,40, para US$ 65,18.

Ao mesmo tempo, o petróleo para dezembro caía US$ 1,64, para US$ 101,63 por barril, enquanto o contrato de dezembro do índice do dólar americano alcançava 101,83 pontos, acrescentando outro componente à formação dos preços internacionais das commodities.

A principal preocupação para os exportadores dos Estados Unidos agora é até que ponto o Brasil conseguirá converter a vantagem cambial em vendas adicionais de soja.

Os próximos dados de exportação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e os números dos embarques brasileiros serão indicadores importantes nas próximas semanas, especialmente enquanto os produtores americanos avaliam preços no mercado físico, custos de armazenagem e estratégias de comercialização futura.

Fonte: Datamarnews

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