Como as tensões políticas do Irã podem afetar o comércio de milho do Brasil

A ameaça do presidente americano Donald Trump de taxar em 25% países que façam negócios com o Irã gerou uma nova onda de incertezas no agronegócio brasileiro e temor de uma reedição do tarifaço aplicado pelos EUA a alguns produtos nacionais.

Se tal medida for aplicada, o Brasil pode ser afetado, uma vez que, em 2025, exportou quase US$ 3 bilhões em produtos agrícolas ao Irã, com destaque principalmente para o milho.

Dados da plataforma DataLiner, da empresa Datamar, confirmam que o Irã foi o principal comprador de milho brasileiro em 2025. Entre janeiro e novembro de 2025, foram embarcados nos porões de navios aproximadamente 6.298.845 toneladas com destino ao país persa. Esse volume representou cerca de 20% do total exportado pelo Brasil.

Veja abaixo um comparativo mês-a-mês dos dados de exportação de milho para o Irã disponibilizados pela Datamar.

Exportação de Milho para Irã | 2022 – 2025 | WTMT

Para Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, apesar das ameaças de Trump, é difícil imaginar que alimentos façam parte de uma lista de produtos sujeitos ao aumento de tarifas.

“Ainda não dá para dizer como esse anúncio afeta o comércio de milho. Trump declarou que vai taxar quem faz negócios com o Irã, mas não o vejo proibindo o comércio de milho ou de alimentos em geral, uma vez que a população iraniana já está em uma situação social complicada”, disse.

O milho importado pelo Irã abastece a indústria nacional de produção de frangos, a quarta maior do continente asiático.

Em boletim, o analista da Royal Rural, Ronaldo Fernandes, disse que “o mercado já começa a fazer conta. Se o Brasil mantiver esse fluxo com o Irã, entra no radar das tarifas dos EUA. Se reduzir, sobra milho aqui dentro”.

No entanto, ao Valor, Fernandes disse que é pouco provável que nova ameaça de Trump prospere, já que ela pode ser prejudicial para China. “O principal parceiro comercial do Irã é a China. Trump já estabeleceu uma pausa nas tarifas com os chineses até novembro, e não vai querer desfazer isso agora”, estimou, lembrando que para os americanos é importante manter a boa relação comercial com a China, especialmente após Trump projetar o comércio de 12 milhões de toneladas de soja com o país asiático.

Ainda segundo ele, a eventual aplicação de taxas não teria grande impacto para o milho brasileiro no curto prazo, pois o forte das compras de Teerã acontece apenas em junho.

Impacto das importações

O Irã é o 11 principal destino dos produtos agropecuários do Brasil. Mas a importância do país do Oriente Médio para o agronegócio nacional vai além dos produtos que consome.

Dados do Comex Stat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), indicam que as importações de produtos agrícolas do Irã somaram US$ 84,5 milhões em 2025. O principal foi a ureia, insumo essencial para a fabricação de fertilizantes nitrogenados.

Somente a ureia respondeu por US$ 66,8 milhões do total importado no ano. Na sequência aparecem produtos como pistache, uvas secas e outras frutas, com participação bem menor no valor total.

Os maiores fornecedores de ureia ao Brasil, em 2025, foram Nigéria, Omã e Catar. No entanto, há suspeitas, no mercado, de que cargas iranianas chegam ao Brasil por outras bandeiras, uma vez que o Irã já é alvo de sanções internacionais.

Fonte: Datamarnews

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