Alta das importações impõe desafios ao setor calçadista brasileiro

Imagem sobre o aumento das importações de calçados e os desafios enfrentados pela indústria calçadista brasileira diante da concorrência internacional.
Imagem sobre o aumento das importações de calçados e os desafios enfrentados pela indústria calçadista brasileira diante da concorrência internacional.
O crescimento das importações de calçados amplia os desafios para a indústria brasileira, impactando competitividade, produção e comércio exterior.

Dados elaborados pelo setor calçadista brasileiro, na figura da Abicalçados, com base nos números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), demonstram o avanço das importações de calçados, em especial provenientes da Ásia. No primeiro semestre, foram importados 25,9 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 307 milhões, incrementos de 15,9% e 13%, respectivamente, ante o mesmo intervalo do ano passado. No recorte de junho, as importações somaram 3 milhões de pares e US$ 48,1 milhões, altas de 1% e 7,6%, respectivamente, no comparativo com o mesmo mês de 2025.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, ressalta que o avanço das importações vem preocupando a indústria nacional. “A indústria brasileira enfrenta simultaneamente um mercado interno pressionado, perda de receita externa e aumento da concorrência importada em detrimento do calçado brasileiro, muitas vezes sob práticas de comércio consideradas desleais pela Organização Mundial de Comércio (OMC).”, afirma, ressaltando que a entidade vem alertando o Governo Federal sobre os riscos da “importação predatória”. Nesse contexto, o dirigente acrescenta que, “somente no primeiro semestre do ano, conforme estimativa da Abicalçados, o setor deixou de criar 7,8 mil postos de trabalho diretos em razão do aumento expressivo das importações”.

A pressão importadora segue concentrada na Ásia, que respondeu por 87,2% dos pares importados pelo Brasil no semestre. A principal origem dos calçados importados foi a China, de onde vieram 9,7 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 26,5 milhões, altas de 27,4% em volume e de 13,3% em valores no comparativo com o mesmo período do ano passado. No recorte de junho, as importações chinesas somaram 408,43 mil pares e US$ 4,14 milhões, altas de 2,3% e 22,9%, respectivamente, ante o mesmo ínterim de 2025

A segunda origem dos calçados importados pelo Brasil no período também é asiática. Entre janeiro e junho, o Vietnã embarcou para o País 6,83 milhões de pares por US$ 150,57 milhões, incrementos de 5,2% e 17,9%, respectivamente, no comparativo com o mesmo período do ano passado. No recorte de junho, as importações do Vietnã somaram 1,23 milhão de pares e US$ 26 milhões, elevações de 4,1% em volume e de 9,8% em receita em relação ao mesmo mês de 2025.

Fechando o ranking dos países que mais importaram para o Brasil no semestre, mais um país asiático. Na primeira parte do ano, a Indonésia exportou ao País 3,68 milhões de pares por US$ 69,24 milhões, incrementos de 14,2% em volume e de 1,9% em receita na relação com intervalo correspondente do ano passado. Já no recorte de junho, as importações da Indonésia somaram 413,24 mil pares e US$ 7,28 milhões, quedas de 37,4% e 18,8%, respectivamente, no comparativo com o mesmo mês de 2025.

Em partes – cabedais, solas, saltos, palmilhas etc -, as importações do semestre somaram US$ 26,48 milhões, 19,4% mais do que no mesmo período do ano passado. As principais origens foram China, Vietnã e Paraguai.

Exportações caem 17,9%

Se por um lado, as importações seguem tendência de elevação, as exportações de calçados assumem o caminho contrário. Combinação que resultou em uma queda de 55,1% na balança comercial do setor no primeiro semestre, o menor resultado para um primeiro semestre na série histórica da base, iniciada em 1997.

No primeiro semestre, as exportações de calçados somaram 49 milhões de pares e US$ 408,2 milhões, quedas tanto em volume (-7%) quanto em receita (-17,9%) em relação ao mesmo período do ano passado. No recorte de junho, foram embarcados 8,1 milhões de pares por US$ 59,16 milhões, incremento de 18,1% em volume e queda de 15,7% em receita.

Entre janeiro e junho, mesmo com toda a instabilidade provocada pelas tarifas de importação aplicadas ao produto brasileiro, o principal destino dos embarques foi os Estados Unidos. No período, foram embarcados para lá 5,6 milhões de pares, que geraram US$ 85,25 milhões, quedas tanto em volume (-3,6%) quanto em receita (-23,6%) em relação ao mesmo intervalo de 2025. No recorte de junho, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 20,7% em volume (805,56 mil pares) e 17,9% em receita (US$ 17 milhões) em relação ao intervalo correspondente do ano passado, ainda refletindo a comparação com uma base elevada do mesmo mês do ano anterior.

Segundo os dados de movimentação de cargas por via marítima mostram que as exportações de calçados aos EUA caíram 25,7% no acumulado dos cinco primeiros meses do ano, comparados ao ano anterior. Isso significa que apenas 466 TEUs foram enviados ao país norte-americano. Confira mais detalhes abaixo:

Exportação de Calçados aos EUA | Jan 2023 – Mai 2026 | TEUs

Na sequência, entre os destinos, aparece a Argentina. No semestre, os hermanos importaram 2,72 milhões de pares verde-amarelos, pelos quais foram pagos US$ 43,5 milhões, quedas tanto em volume (-57,5%) quanto em receita (-58,1%) em relação ao mesmo período do ano passado. No recorte de junho, as exportações brasileiras para a Argentina registraram 303,5 mil pares e US$ 5,68 milhões, quedas de 54,4% em volume e 43,5% em receita no comparativo com o mesmo mês de 2025.

Apesar do quadro negativo, alguns mercados ajudaram a amortecer a queda. O Paraguai foi o terceiro destino das exportações brasileiras do primeiro semestre, com a soma de 4,18 milhões de pares e US$ 22,88 milhões. Apesar da queda de 3,8% em volume, houve aumento de 13,1% em receita na relação com o mesmo intervalo do ano passado. No recorte de junho, as importações paraguaias de calçados verde-amarelos somaram 582,55 mil pares e US$ 2,67 milhões, incrementos de 36,9% e 5,2%, respectivamente, no comparativo com o mesmo mês de 2025.

Fonte: Datamarnews

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