
Os Estados Unidos e o Irã realizaram nesta quarta-feira (2), em Doha, negociações técnicas com o objetivo de chegar a um acordo sobre a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz e consolidar um cessar-fogo duradouro, segundo uma fonte com conhecimento direto das conversas e uma autoridade iraniana.
O genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Jared Kushner, e o enviado especial Steve Witkoff reuniram-se com o primeiro-ministro do Catar — mediador das negociações ao lado do Paquistão — para preparar o terreno para as discussões. Segundo a fonte, eles não participariam diretamente das negociações técnicas.
As conversas têm como base um acordo provisório de 14 pontos, assinado no mês passado, que previa o fim da guerra iniciada após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em fevereiro, a reabertura do Estreito de Ormuz e um período de 60 dias de negociações para um acordo de paz permanente.
No entanto, Estados Unidos e Irã passaram a divergir publicamente sobre a interpretação do acordo provisório, o que resultou em ataques militares de retaliação ao longo da última semana.
Duas fontes iranianas de alto escalão afirmaram nesta quarta-feira que o Irã está determinado a obter reconhecimento internacional sobre seu controle do Estreito de Ormuz e sobre seu direito de cobrar taxas das embarcações que entram ou deixam o Golfo Pérsico, mesmo que isso exija o uso da força.
O tráfego marítimo já foi parcialmente retomado no estreito, por onde, antes do conflito, passava cerca de 20% do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito (GNL).
Ormuz e ativos congelados são prioridade
Segundo a fonte com conhecimento das negociações, as reuniões em Doha foram estruturadas em sessões entre negociadores-chefes e especialistas técnicos. As conversas começaram na noite de terça-feira e continuavam nesta quarta-feira, informou a autoridade iraniana.
O Irã declarou publicamente que suas prioridades são definir um acordo sobre a administração do Estreito de Ormuz e obter a liberação de US$ 6 bilhões em ativos iranianos congelados. A autoridade iraniana afirmou que esses dois temas concentram a atual rodada de negociações.
Do lado americano, a prioridade é garantir a livre circulação de embarcações pelo estreito, informou a fonte.
A imprensa estatal iraniana noticiou nesta quarta-feira que um navio porta-contêineres estrangeiro encalhou no Estreito de Ormuz após entrar em águas rasas fora da rota de navegação determinada pelas autoridades iranianas.
“Hormuz continua sendo reaberto, mas de forma irregular, imprevisível e ainda sem total transparência”, afirmou Vandana Hari, fundadora da consultoria de mercado de petróleo Vanda Insights.
A guerra desencadeou ataques iranianos contra países do Golfo que abrigam bases militares americanas, provocou milhares de mortes — principalmente no Irã e no Líbano — e impulsionou os preços internacionais do petróleo e dos combustíveis.
Pressão política e negociações sobre o Líbano
Donald Trump enfrenta pressão política para conter os impactos econômicos do conflito antes das eleições legislativas de novembro, que definirão o controle do Congresso dos Estados Unidos.
No Irã, apesar de o regime teocrático ter sobrevivido ao conflito, enfrenta crescente insatisfação interna diante da deterioração da economia.
Os preços do petróleo, que já haviam recuado de forma significativa no segundo trimestre, caíram mais de 1% nesta quarta-feira.
O acordo provisório entre Estados Unidos e Irã também prevê o encerramento do conflito paralelo envolvendo Israel e o grupo militante libanês Hezbollah, apoiado por Teerã.
Os Estados Unidos apoiam uma negociação separada entre Israel e o governo do Líbano, que resultou em um acordo preliminar de segurança. O Hezbollah rejeitou esse entendimento, enquanto analistas alertam que ele poderá consolidar a ocupação israelense no sul do Líbano.
Segundo a fonte com conhecimento das negociações, até a noite de terça-feira houve intensa atividade diplomática envolvendo diversas partes, incluindo os Estados Unidos, para tratar da situação no Líbano.
Fonte: Datamarnews
















