
O custo do frete de navios-tanques na rota entre o Oriente Médio e a China disparou para o maior nível em seis anos, ultrapassando US$ 200 mil por dia em contratos fechados nesta quinta-feira, 26, segundo a agência Reuters.
A alta é consequência direta da resistência do Irã às pressões do governo americano para que o país dê garantias de que não está avançando com um programa nuclear de fins bélicos. O aumento do frete marítimo na região gera risco de efeito cascata sobre os custos do transporte global, uma das consequências econômicas menos comentadas das tensões entre Estados Unidos e Irã — além da elevação do preço do petróleo.
Diante da possibilidade de uma ação militar dos Estados Unidos contra o Irã, compradores asiáticos de combustíveis fósseis intensificaram encomendas do Oriente Médio para formação de estoques. Em momentos de risco de interrupção no fornecimento, países e empresas evitam depender de armazenagem sob demanda.
Volta e meia, Teerã ameaça fechar o Estreito de Ormuz, principal acesso ao Golfo Pérsico e rota de escoamento de petróleo e gás do Oriente Médio, por onde passam cerca de 20% das exportações globais de combustíveis fósseis — o equivalente a US$ 500 bilhões por ano. A China é o principal destino dessas cargas.
Apesar disso, um bloqueio total do estreito é improvável, mesmo em caso de conflito armado. O principal impacto está no aumento do risco de navegação, o que eleva prêmios de seguro e, consequentemente, o custo do frete.
Além do Estreito de Ormuz, o Irã pode recorrer ao apoio de milícias houthis no Iêmen para dificultar o tráfego de navios no Mar Vermelho, rota que dá acesso ao Canal de Suez. Pelo canal passa cerca de 15% do comércio marítimo mundial.
O encarecimento do petróleo e do transporte pressiona a inflação global. “A grande moeda de troca do Irã é a possibilidade de exportar inflação”, afirma Bernardo Assumpção, CEO da gestora Arton Advisors.
Apesar da retórica beligerante das últimas semanas, o presidente Donald Trump tem razões para manter aberta a via diplomática. As negociações mais recentes resultaram em um acordo para uma nova rodada de conversas indiretas, com mediação europeia, prevista para a próxima semana — um alívio para a economia global.
Fonte: Datamarnews




