Brasil e Alemanha redesenham aliança para dobrar comércio bilateral em cinco anos

Brasil e Alemanha anunciam nova aliança estratégica para ampliar comércio bilateral, logística e exportações nos próximos cinco anos.

Brasil e Alemanha anunciam nova aliança estratégica para ampliar comércio bilateral, logística e exportações nos próximos cinco anos.

As relações comerciais entre Brasil e Alemanha caminham para um novo patamar, com potencial de dobrar o comércio bilateral nos próximos cinco anos e ampliar a relevância brasileira na transição energética alemã. Mais que isso, a retomada das negociações para evitar a dupla tributação está entre os principais itens dessa nova agenda, firmada em abril. O desfecho é aguardado com expectativa por parte da indústria brasileira, uma vez que o fim da bitributação favorecerá aportes alemães em áreas estratégicas de alta tecnologia.

A pauta discutida pelos dois governos também abre caminho para que a Alemanha acelere sua descarbonização a partir da produção brasileira de biocombustíveis e hidrogênio verde. Já o Brasil vê oportunidade de ganhar espaço na reorganização das cadeias globais por meio de parcerias tecnológicas com os alemães. “O Brasil hoje é parceiro estratégico da Alemanha, o único na América Latina que possui esse título”, afirma Bruno Vath Zarpellon, diretor executivo de desenvolvimento de negócios da Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK).

A aproximação entre os países chega no momento de mudanças relevantes no mapa geopolítico. Interessa a ambos diversificar parceiros comerciais, diz Roberto Jaguaribe, ex-embaixador do Brasil na Alemanha, China e Reino Unido. “O Brasil tem elementos de atratividade global importantes para a economia do futuro, como fontes renováveis acessíveis a custos competitivos. Some-se a isso deficiência energética na Europa com custos altos.”

Fatos recentes exemplificam a necessidade alemã de ampliar as relações comerciais. A invasão da Ucrânia pela Rússia elevou o preço da energia e deixou a Europa sem controle sobre seu fornecimento. Recentemente, a guerra no Irã, que resultou no fechamento do Estreito de Ormuz, afetou drasticamente o abastecimento de combustíveis no continente europeu.

“A Alemanha tem só mais seis semanas [de estoque] de combustível de aviação e as férias de verão se aproximam. O Brasil tem potencial gigantesco de ser um dos maiores produtores de SAF [combustível sustentável de aviação, na sigla em inglês], pela capacidade de transformar commodities em produtos de alto valor agregado”, diz Zarpellon.

Constanza Negri, gerente de comércio e integração internacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI), lembra que o custo de energia é um dos grandes desafios da Europa. “O Brasil pode ser uma solução em biocombustíveis e hidrogênio verde, podendo se tornar um parceiro de parte das soluções que a Alemanha procura nesse momento”, afirma.

Oitava maior investidora no país, com estoque de US$ 44,1 bilhões, segundo a CNI, a Alemanha poderá ampliar em 47% seus investimentos diretos com o acordo para evitar dupla tributação (ADT), conforme estudo da Tendências Consultoria. Também levará a uma intensificação no comércio, com aumento de 14% nas exportações alemãs para o Brasil e de 19% nas exportações brasileiras para a Alemanha.

Em 2025, a Alemanha consolidou-se como o quarto maior parceiro comercial do Brasil no mundo e o principal fornecedor europeu ao mercado brasileiro. A corrente de comércio somou US$ 20,9 bilhões, sendo US$ 14,4 bilhões em importações e US$ 6,5 bilhões em vendas brasileiras ao país. No ranking de destinos da União Europeia, o mercado alemão ocupa a terceira posição nas exportações nacionais.

A relação entre os dois países não só é deficitária para o Brasil como reflete a assimetria no valor de produtos embarcados. Na pauta de exportações nacionais predominam itens primários, como café, soja e minério, enquanto a alemã vende ao país produtos de maior valor agregado. Lia Valls, pesquisadora associada do Ibre, da FGV, observa que novos investimentos alemães no Brasil poderão alterar a composição atual, bem como o Acordo Mercosul-União Europeia, a médio e longo prazos.

Jaguaribe enfatiza ainda a necessidade da criação de parcerias em setores com elevada complementariedade. “A Alemanha tem a indústria no seu DNA. A ideia de se desindustrializar é inaceitável para o eleitor alemão, mas a ideia de ter presença global mais ativa e competitiva em função de parcerias estratégicas é viável. É dentro dessa linha que vejo oportunidades claras”, afirma.

Fonte: Datamarnews

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