Abemel vê decisão da UE com preocupação, mas descarta grande impacto para o setor

Abemel demonstra preocupação com decisão da União Europeia sobre exportação de mel brasileiro em 2026

Abemel demonstra preocupação com decisão da União Europeia sobre exportação de mel brasileiro em 2026

Assim como outros segmentos do agronegócio brasileiro, o setor apícola também foi surpreendido pelo veto da União Europeia aos produtos de origem animal, anunciado na manhã de terça-feira (13). Para o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, as exigências impostas pelo bloco têm mais caráter político do que técnico.

“O Brasil é o principal produtor de mel orgânico do mundo. Então, quando se fala em uso de antibiótico no mel brasileiro, isso soa quase incoerente”, afirma Azevedo.

Segundo ele, a Abemel pode recorrer a certificações que comprovam a ausência de resíduos de antibióticos no produto. Ainda assim, o presidente destaca que a exigência tende a elevar os custos do setor, o que preocupa exportadores.

UE era alternativa ao mercado americano

Apesar de acreditar em soluções técnicas para reverter o cenário e de a União Europeia não representar a maior fatia das exportações brasileiras de mel, Azevedo afirma que a decisão frustrou os planos do setor. Isso porque o bloco europeu vinha sendo visto como alternativa diante das medidas tarifárias adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Com toda essa questão do tarifaço, estamos buscando novos mercados, e a União Europeia era a primeira opção. Existe uma cultura de negociação mais próxima da nossa e as conversas fluem melhor, então esse era o nosso principal destino neste momento”, explica.

De acordo com Azevedo, alguns exportadores já embarcam mel para a Europa e agora aguardam definições sobre o tema.

“A medida só passa a valer a partir de setembro, mas alguns exportadores já nos disseram que pretendem antecipar os embarques para que os produtos cheguem à União Europeia antes disso”, comenta.

Para os demais embarques, a orientação tem sido aguardar o desenrolar das negociações. “Quando olhamos o cenário global, pode parecer pouco. Mas, individualmente, para cada entreposto e exportador, esse mercado é muito relevante. Precisamos reabri-lo”, afirma.

Setor relembra embargo de 2006

Azevedo recorda que o setor enfrentou uma situação semelhante em 2006, quando a União Europeia suspendeu as importações de mel brasileiro por dois anos devido à falta de controle sobre resíduos biológicos.

“Neste caso, entendemos que temos todos os elementos técnicos para comprovar a qualidade e a conformidade do produto. Esse é o principal ponto que precisa ser trabalhado agora”, avalia.
Segundo o presidente da Abemel, o setor também observa influência do acordo entre Mercosul e União Europeia sobre o atual cenário.

“O agro brasileiro tem escala, produtividade e competitividade maiores, o que permite oferecer produtos de qualidade com preços mais baixos. Existe uma pressão muito forte do setor europeu por causa disso”, afirma.

Para ele, o bloco europeu pode estar utilizando barreiras não tarifárias como forma de proteção de mercado.

“Depois da assinatura do acordo com o Mercosul, entendemos que algumas dessas medidas acabam funcionando como barreiras comerciais indiretas. Não é uma tarifa propriamente dita, mas cria dificuldades para a entrada dos produtos”, comenta.

Azevedo também destaca a instabilidade enfrentada pelos exportadores brasileiros em seus dois principais parceiros comerciais. “De um lado, temos os Estados Unidos, com toda a incerteza em torno das tarifas de Donald Trump. Do outro, a União Europeia vivendo esse cenário agora”, diz.

Confira a seguir a concentração dos principais países que compraram o mel brasileiro no 1º trimestre do ano

Principais Destinos da Exportações de Mel | 1º tri 2026 | TEUs

Principais destinos das exportações brasileiras de mel no 1º trimestre de 2026 em TEUs

Negociações com o governo

O presidente da Abemel afirma que a entidade está em contato com o Ministério da Agricultura e com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para acompanhar as negociações. “Nos colocamos à disposição para colaborar no que for necessário, mas entendemos que este é um momento de diálogo entre o Ministério da Agricultura, o Itamaraty e as autoridades europeias”, conclui.

Fonte: Datamarnews

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