
A Autoridade Portuária de Santos (APS) planeja licitar as novas áreas incorporadas ao Porto de Santos a partir de 2027 e espera abrigar até 30 novos terminais e uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE). A área do complexo foi ampliada de 9,3 km² para 14,5 km², um ganho territorial de 56%, conforme portaria publicada pelo Ministério de Portos e Aeroportos no Diário Oficial da União.
O presidente da APS, Anderson Pomini, afirmou que já planeja licitações para arrendar os novos espaços à iniciativa privada, com foco na modernização e eficiência operacional. Segundo ele, a ampliação permitirá atender ao crescimento da economia e do porto, que hoje se conecta a cerca de 600 destinos em quase 200 países, possibilitando futuramente a instalação de mais 20 a 30 terminais. A expansão, acrescentou, resulta de planejamento estratégico para ações de curto, médio e longo prazos.
A APS apontou três áreas prioritárias: o entorno do Largo do Caneu, com cerca de 5 km² e potencial para novos terminais e uma ZPE; áreas na Alemoa, com acesso ao canal do porto e cerca de 114 mil m²; e trechos no Monte Cabrão, na área continental de Santos, com aproximadamente 180 mil m².
O pedido de expansão da poligonal para até 20,4 km² foi encaminhado ao ministério em 2024. Em 2025 houve consulta pública e agora foi concedida autorização parcial. Recentemente, a poligonal já havia sido atualizada de 7,8 km² para 9,3 km². A expansão também inclui áreas marítimas, ampliando o trecho aquaviário de 355,2 km² para 367,2 km² e elevando a área total utilizada de 383,8 km² para 401 km².
A oferta de áreas greenfield e a localização estratégica do porto são vistas como atrativos para novos terminais e para a ZPE, embora especialistas apontem desafios de acesso e infraestrutura para suportar o aumento da movimentação de cargas.
Para o especialista em políticas públicas Leandro Lopes, a expansão pode marcar um novo ciclo econômico e reforçar a posição de Santos, responsável por cerca de 30% da balança comercial brasileira, como principal hub logístico da América do Sul. Ele ressalta que a oferta de espaço amplia oportunidades para terminais, retroáreas e operações integradas, atraindo investidores nacionais e estrangeiros, mas alerta para o risco de concentração excessiva de cargas sem evolução da infraestrutura ao redor.
Historicamente, o Porto de Santos apresenta uma concentração operacional em terminais de contêineres voltados ao longo curso. Descubra abaixo o desempenho das unidades que se destacaram em 2025, integrando os volumes de exportação e importação, conforme as estatísticas da Datamar.
Movimentação de Contêineres de Longo Curso | 2025 | TEUs

Segundo Lopes, uma ZPE conectada ao porto poderia atrair multinacionais exportadoras, fortalecer a indústria nacional e reduzir custos logísticos, desde que haja integração ferroviária, mobilidade urbana eficiente e segurança jurídica.
O advogado João Paulo Braun afirma que a nova poligonal aumenta a previsibilidade para investidores e reduz riscos de saturação, mantendo o porto competitivo e atrativo para grandes operadores. Para ele, a nova configuração territorial é etapa fundamental para viabilizar a ZPE e avançar no conceito de Porto-Indústria, com fábricas instaladas próximas ao cais.
Fonte: Datamarnews
